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Brasil e Japão juntos para proteger água subterrânea

  • Foto do escritor: SACRE
    SACRE
  • 14 de jan.
  • 3 min de leitura

Parceria com Hiroshima fortalece métodos que ampliam a segurança hídrica e orientam políticas públicas na Grande São Paulo


Isabela Batistella


[Da esquerda para a direita: Vinícius Rogel (USP/IPT), Reginaldo Bertolo (USP), Shinichi Onodera (Hiroshima University), Priscila Ikematsu (IPT) e Mitsuyo Saito (Hiroshima University)]
[Da esquerda para a direita: Vinícius Rogel (USP/IPT), Reginaldo Bertolo (USP), Shinichi Onodera (Hiroshima University), Priscila Ikematsu (IPT) e Mitsuyo Saito (Hiroshima University)]

O Projeto SACRE | Soluções Integradas de Água para Cidades Resilientes conecta pesquisadores do Instituto de Geociências da USP, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) e do Departamento de Ciências Ambientais Naturais da Universidade de Hiroshima. As ações ampliam a capacidade brasileira de proteger aquíferos e planejar usos do solo em regiões metropolitanas. A delegação brasileira visitou a Universidade em outubro e apresentou avanços que destacam o papel do SACRE na formulação de soluções de segurança hídrica para cidades densas e vulneráveis.

A parceria reforça a busca por métodos capazes de enfrentar um desafio silencioso. A água subterrânea é fonte estratégica para o abastecimento de água da Grande São Paulo, mas sofre pressão crescente de contaminação e sobreuso. O intercâmbio com a Universidade de Hiroshima amplia o repertório técnico para monitoramento, modelagem hidrogeológica – representações matemáticas de sistemas subterrâneos para simular e prever seu comportamento – e avaliação integrada de bacias hidrográficas. “A cooperação traz um conjunto de técnicas que fortalece diagnósticos em áreas metropolitanas e periurbanas”, diz a pesquisadora Priscila Ikematsu, coordenadora de um dos núcleos de pesquisa do SACRE. Ela explica que os grupos japoneses trabalham com rastreamentos isotópicos, “impressões digitais” das águas que permitem entender sua origem, e estudos que conectam zonas urbanas, agrícolas e costeiras de forma precisa.

A visita incluiu reuniões técnicas, visitas de campo e participação na conferência da Sociedade Japonesa de Ciências Hidrológicas, que foi realizada em Tóquio. O IPT apresentou estudos que tratam da relação entre água subterrânea, agricultura e vulnerabilidades urbanas. Ikematsu exibiu o mapa de favorabilidade para perfuração de poços em áreas agrícolas da Região Metropolitana de São Paulo e destacou que o método orienta políticas públicas ao reduzir incertezas e conflitos pelo uso da água. “A ferramenta indica onde a perfuração tende a ter boa produtividade e onde a vulnerabilidade é maior”, diz. A base técnica permite decisões mais eficientes em irrigação, uso do solo e proteção de mananciais.

Reginaldo Bertolo, professor da USP, apresentou uma síntese sobre o uso de águas subterrâneas na metrópole e os pontos críticos de contaminação. O trabalho detalha áreas com maior pressão sobre os aquíferos fraturados, formações complexas onde a água circula por fissuras presentes nas rochas, e os mecanismos de risco associados à expansão urbana. 

O pesquisador Vinicius Rogel, doutorando do projeto SACRE que atualmente desenvolve sua bolsa BEPE-FAPESP no Japão,  discutiu as diferentes origens de águas subterrâneas em áreas verdes urbanas próximas a rios. Esses estudos reforçam que a compreensão do movimento da água no subsolo e das interações com a vegetação orienta modelos mais confiáveis para previsão de crises e planejamento de infraestrutura.


Intercâmbio fortalece planejamento territorial e agenda de inovação

A cooperação abre caminho para metodologias que conectam hidrologia, uso do solo e práticas agrícolas. Os grupos de Hiroshima mostram como o manejo inadequado altera a carga de nitrogênio e fósforo em bacias, um tema sensível na periferia metropolitana, onde a atividade agrícola convive com áreas de mananciais e ocupação urbana dispersa. Ikematsu aponta que a integração é valiosa para políticas de gestão de recursos hídricos, zoneamentos ambientais e programas de agricultura metropolitana. “O enfoque permite análises mais completas e comparáveis às melhores práticas internacionais”.

O SACRE, que reúne mais de 80 pesquisadores de 20 instituições, incorpora esses avanços em projetos dedicados à segurança hídrica e resiliência urbana. A colaboração apoiará propostas conjuntas submetidas a agências de fomento brasileiras e japonesas, como um projeto voltado à gestão sustentável da água e do ciclo de nitrogênio em áreas agrícolas e urbanas.

A parceria entre os dois países reforça o papel do SACRE como plataforma de ciência aplicada para políticas públicas. O projeto aproxima grupos de pesquisa de prefeituras, empresas de saneamento e comitês de bacias. Os resultados apresentados no Japão mostram que a integração internacional acelera a produção de indicadores, mapas e modelos que apoiam decisões sobre outorga, fiscalização, zoneamentos, planos de mananciais e estratégias de adaptação climática.


 
 
 

1 comentário


brunosky
15 de jan.

Parabéns

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FAPESP Processos 2020/15434-0 e 2022/00652-7, CNPq 423950/2021-5

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