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Estudo cria base de dados inédita para antecipar falta d’água em Bauru

  • Foto do escritor: SACRE
    SACRE
  • 15 de jan.
  • 2 min de leitura

Equipe estrutura bacia experimental no Batalha e levou resultados ao Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos


Isabela Batistella


Afluente do rio Batalha (Fonte: Isabela Batistella)
Afluente do rio Batalha (Fonte: Isabela Batistella)

O Projeto SACRE apresentou no XXVI Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, realizado entre os dias 23 e 28 de novembro em Vitória (ES), um estudo que transforma a cabeceira do rio Batalha em um laboratório vivo capaz de antecipar sinais de escassez em Bauru. A iniciativa estrutura uma bacia experimental com dados integrados de poços, vazão, solos, clima e vegetação. O objetivo é revelar a dinâmica da recarga no Aquífero Bauru em uma das regiões mais modificadas pela ação do ser humano no interior paulista e criar informações que aumentem a segurança hídrica do município.

“A bacia experimental pode transformar incertezas em parâmetros concretos”, afirma a pesquisadora do SACRE Carolina Santos, responsável pelo estudo. A equipe instalou nove poços e uma estação para monitorar a quantidade de água superficial que corre no rio Batalha, a partir da direção em que o rio nasce. Também realizou campanha para medir o índice de área foliar – soma da área de todas as folhas de uma planta em relação à área do solo que ela ocupa –, além de experimentos para medição de infiltração e verificação da relação rio-aquífero.

Essas medições permitem investigar, pela primeira vez, quanto o solo permite a recarga de aquíferos e contribui para corpos superficiais, além de entender como a vegetação pode impactar na infiltração de águas subterrâneas e, por consequência, no seu armazenamento. O conjunto servirá como base para calibrar ferramentas que possibilitam simular cenários de gestão e projetar o impacto de intervenções. 

Bauru convive com episódios recorrentes de falta d’água e ainda depende de decisões tomadas sem previsão clara sobre o comportamento da recarga do aquífero. Para a pesquisadora do SACRE Carolina Santos, a bacia experimental ajuda a romper essa lógica. "A gestão hoje é muito reativa", diz. "A cidade age quando a crise já começou, com perfurações emergenciais e racionamentos". Ela explica que o experimento propõe prever quedas de recarga com antecedência e apontar áreas onde intervenções de infiltração podem evitar que a escassez avance.

O estudo também expõe tensões conhecidas entre uso do solo, vegetação e recarga. Pastagens compactadas, agricultura intensiva e expansão urbana reduzem a infiltração e alteram o balanço entre chuva e armazenamento no solo, mesmo em anos sem estiagem severa. Santos alerta que muitos municípios tratam a recarga como um valor fixo da chuva. "A recarga não é homogênea", afirma. "Ela depende da estrutura do solo, do manejo e das raízes que controlam quanto de água chega ao aquífero". A base de dados indica que a segurança hídrica de Bauru depende tanto da ocupação do território quanto da captação.

A integração dos dados permitirá avaliar cenários e embasar políticas públicas. Mapas reais de infiltração podem orientar zoneamentos, um instrumento de planejamento urbano que define o solo em áreas. As zonas de conservação podem seguir critérios hidrológicos e práticas rurais podem ser avaliadas pelo impacto direto que têm na recarga. Para o SACRE, a bacia experimental abre caminho para decisões mais precisas cientificamente, em uma região que enfrenta pressões crescentes.

 
 
 

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FAPESP Processos 2020/15434-0 e 2022/00652-7, CNPq 423950/2021-5

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