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Crise hídrica decorre de combinação de fatores além da estiagem

  • Foto do escritor: SACRE
    SACRE
  • 3 de jun.
  • 2 min de leitura

Projeto SACRE indica que gestão, infraestrutura e uso das fontes de água influenciam vulnerabilidade urbana


Isabela Batistella


Imagem ilustrativa (Fonte: Acervo Canva)
Imagem ilustrativa (Fonte: Acervo Canva)

Análises do Projeto SACRE | Soluções Integradas de Água para Cidades Resilientes indicam que as causas da crise hídrica na cidade de Bauru (SP) vão além da escassez de chuva e incluem infraestrutura e gestão de fontes de abastecimento, o que ajuda a explicar por que os impactos da estiagem se distribuem de maneira desigual.

O pesquisador do projeto Carlos Gamba indica que a crise hídrica resulta da interação entre três dimensões: a escassez física associada ao clima, limitações na infraestrutura e aspectos ligados à gestão da água. Considerar esses fatores em conjunto permite ampliar as possibilidades de resposta. O município depende tanto da captação superficial no Rio Batalha quanto da extração de água subterrânea por meio de poços. Em períodos de estiagem, a produção no rio tende a diminuir, o que pode levar à adoção de rodízios no abastecimento em algumas regiões. Já as áreas atendidas predominantemente por poços costumam apresentar maior estabilidade no fornecimento.

“Isso revela um pensamento não integrado, individualizado, onde as soluções relativas ao abastecimento de água são pensadas para o atendimento de demandas localizadas”, diz. Segundo ele, ampliar a articulação entre as diferentes fontes pode contribuir para uma distribuição mais equilibrada da água, especialmente em momentos de escassez.

O cenário atual também inclui desafios conhecidos, como perdas no sistema de distribuição, aumento da demanda e necessidade de ampliar o controle sobre captações. Ao mesmo tempo, cresce a utilização da água subterrânea como alternativa para garantir o abastecimento.

O projeto propõe a adoção de estratégias combinadas, que integrem diferentes soluções. Isso inclui desde intervenções locais que favorecem a infiltração de água no solo até ferramentas de planejamento que apoiam a tomada de decisão em escala mais ampla. “A possibilidade de sucesso no combate às crises hídricas aumenta”, diz Gamba. “Você cria alternativas para melhorar a produção e a gestão dos recursos hídricos e ataca o problema sob diferentes perspectivas”. 

Entre as medidas destacadas pelo pesquisador, a redução das perdas no sistema e o avanço no tratamento de esgoto aparecem como relevantes para fortalecer o abastecimento. “Há duas frentes que considero imprescindíveis: a redução das perdas e o tratamento do esgoto”, diz.

Na avaliação do pesquisador, o enfrentamento desses desafios passa por decisões que envolvem diferentes níveis de gestão e coordenação. “Não falta conhecimento técnico, nem ferramentas de controle. Falta vontade política”, afirma ao comentar a complexidade dessas medidas.

Gamba também aponta que questões relacionadas à qualidade da água, como a presença de nitrato em aquíferos, reforçam a necessidade de planejamento de longo prazo. Ao mesmo tempo, iniciativas como o Sistema de Suporte à Decisão (SSSD) desenvolvido no âmbito do projeto buscam oferecer subsídios técnicos para apoiar gestores na avaliação de alternativas, considerando custos, viabilidade e impactos. “A ideia do SSD é facilitar a ação dos gestores”, explica Gamba.


 
 
 

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FAPESP Processos 2020/15434-0 e 2022/00652-7, CNPq 423950/2021-5

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