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Nível do Sistema Aquífero Guarani em Bauru cai de um a dois metros por ano

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    SACRE
  • há 16 horas
  • 3 min de leitura

Modelagem hidrogeológica indica que o abastecimento municipal depende cada vez mais da retirada de água armazenada no aquífero


Julia Picolo


Julia Rusig apresentando no XXIV CABAS (Fonte: Julia Rusig)
Julia Rusig apresentando no XXIV CABAS (Fonte: Julia Rusig)

Um aquífero pode ser comparado a uma conta bancária: a água armazenada é o saldo; a recarga, alimentada principalmente pela infiltração da chuva, funciona como depósito; e o bombeamento equivale aos saques. Quando as retiradas superam a reposição, o saldo diminui — ainda que o reservatório continue armazenando grandes volumes. É esse desequilíbrio que um estudo de Julia Rusig, integrante do Projeto SACRE, identifica no Sistema Aquífero Guarani (SAG) em Bauru (SP). O trabalho foi apresentado no XXIV Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas.


(Fonte: Julia Rusig)
(Fonte: Julia Rusig)

O SAG se estende por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Em trechos confinados entre camadas de baixa permeabilidade, armazena águas muito antigas, com renovação lenta. Em Bauru, o sistema responde por aproximadamente 65% do abastecimento público.


Segundo o estudo, entre 2010 e 2025 o volume anual retirado do Guarani pelo Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE-Bauru) passou de 23,25 milhões para 39,83 milhões de metros cúbicos — aumento de 71%. O volume extraído em 2025 equivale a quase 16 mil piscinas olímpicas. No mesmo período, o número de poços em operação aumentou de 27 para 41.


“O uso crescente de águas subterrâneas de renovação muito lenta tem levado à

(Fonte: Julia Rusig)
(Fonte: Julia Rusig)

depleção de aquíferos em diferentes partes do mundo”, explica Rusig. Parte da água armazenada no SAG é classificada como fóssil, isto é, infiltrou-se há mais de 11,7 mil anos. A pesquisadora ressalta, porém, que água fóssil e água não renovável não são necessariamente sinônimos: a capacidade de renovação depende das condições hidrogeológicas de cada trecho do sistema. 


(Fonte: Julia Rusig)
(Fonte: Julia Rusig)

Para reconstruir o que ocorre sob a cidade, a pesquisadora elaborou um modelo geológico tridimensional com dados de mais de 40 poços e simulou o comportamento da água subterrânea com um software utilizado em modelagem hidrogeológica, implementado no Groundwater Modeling System (GMS).


As simulações indicam queda de 1 a 2 metros por ano nos níveis da água subterrânea. Em alguns poços, os níveis dinâmicos — medidos durante o bombeamento — já estão abaixo de partes da geometria local do SAG, o que pode reduzir sua produtividade. Cada poço também cria ao redor de si uma área de influência do bombeamento. Os raios estimados chegam a 2,5 quilômetros na Formação Pirambóia, 3,8 quilômetros na Formação Guará e 4,3 quilômetros na Formação Botucatu. Como vários poços estão próximos, essas áreas se sobrepõem e intensificam o rebaixamento.


O estudo recorre ao conceito de Peak Groundwater (“pico da água subterrânea”) para discutir os limites da extração. A ideia é identificar o ponto em que o aumento do bombeamento passa a depender de forma crescente da redução do estoque armazenado, em vez de ser compensado pela reposição natural. Segundo a análise, Bauru já se encontra em uma fase de forte dependência da água acumulada no aquífero.


“O SAG não vai se esgotar de uma hora para outra, mas existe um limite para a quantidade de água que pode ser extraída antes que a depleção comece a comprometer a produtividade dos poços. Por isso, estratégias de manejo, como otimizar o bombeamento e a localização de novos poços, além de avaliar alternativas de recarga gerenciada, são importantes para aumentar a longevidade do recurso e a segurança do abastecimento público”, afirma.



 
 
 

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FAPESP Processos 2020/15434-0 e 2022/00652-7, CNPq 423950/2021-5

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