Água subterrânea sustenta mais de 80% da vazão do rio Batalha em meses de seca
- SACRE

- há 22 horas
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Estudo combina 24 anos de dados e modelagem hidrológica para mostrar o papel do Sistema Aquífero Bauru na resistência do rio aos períodos de estiagem
Julia Picolo

Em períodos de seca, o rio Batalha, em Bauru (SP), depende fortemente da água armazenada no subsolo. Um estudo apresentado no XXIV Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, por Carolina Santos, integrante do Projeto SACRE, busca medir quanto o rio depende do Sistema Aquífero Bauru para manter sua vazão durante as estiagens.
“Usei uma série histórica de 2000 a 2024 para a bacia do Alto Batalha, com dados de precipitação do INMET e informações sobre uso e ocupação do solo, como entradas de um modelo hidrológico já calibrado e validado para a bacia”, explica Carolina. As simulações, realizadas em escala mensal entre agosto de 2000 e dezembro de 2024, geraram séries de evapotranspiração real, recarga do aquífero, escoamento de base e vazão total do rio.
Na prática, a chuva que cai sobre uma bacia hidrográfica pode seguir diferentes caminhos: uma parte evapora, outra escoa pela superfície até os rios e outra se infiltra no solo, recarregando o aquífero. Essa água subterrânea pode retornar lentamente ao rio. É o chamado escoamento de base, fundamental para manter a vazão quando a chuva diminui.

Os resultados indicam que, em diversos meses de estiagem, o escoamento de base representa mais de 80% da vazão total do rio. Entre a recarga do aquífero e a resposta do escoamento de base há uma defasagem de cerca de um mês. Já a influência do escoamento de base sobre a vazão do rio persiste por quatro a cinco meses, efeito que a pesquisadora descreve como uma “memória hidrológica” associada ao armazenamento subterrâneo. “A série de vazão simulada apresentou forte correlação com os dados da estação fluviométrica de Reginópolis, 70 quilômetros rio abaixo, reforçando a representatividade regional dos resultados”, acrescenta.
O resultado tem implicações para a gestão da água, se a recarga do aquífero ajuda a sustentar o rio meses depois, decisões sobre uso do solo, preservação de áreas de infiltração e planejamento hídrico podem afetar a disponibilidade de água justamente nos períodos de seca.
“Por isso, é importante favorecer a recarga dos aquíferos. Eles funcionam como grandes reservatórios ao longo do tempo. Se conseguirmos ampliar a recarga e preservar esse armazenamento, os rios podem manter vazões maiores por mais tempo”.
Dados e informações retiradas do resumo: Memória Hidrológica, Sustentação de Fluxo de Base e Resistência à Estiagem na Porção Alta do Rio Batalha (SP).




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