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Artigo com participação do SACRE liga comunicação a melhores decisões hídricas

  • Foto do escritor: SACRE
    SACRE
  • 31 de mar.
  • 2 min de leitura

Estudo aponta barreiras na área e reforça estratégia adotada pelo projeto em Bauru


Isabela Batistella


Integração entre pesquisadores (nacionais e internacionais), gestores e stakeholders durante a Semana Internacional Paulista de Águas Subterrâneas (Fonte: Isabela Batistella)
Integração entre pesquisadores (nacionais e internacionais), gestores e stakeholders durante a Semana Internacional Paulista de Águas Subterrâneas (Fonte: Isabela Batistella)

Artigo publicado no periódico Hydrological Sciences indica que 70% dos pesquisadores se sentem responsáveis por dialogar com a sociedade, mas apenas 22% receberam formação específica para isso. O pesquisador Vinicius Boico, integrante do Projeto SACRE | Soluções Integradas de Água para Cidades Resilientes, é um dos coautores do artigo, que aponta que a comunicação científica ainda enfrenta entraves institucionais. Mas, quando integrada desde o início de projetos como o SACRE, é capaz de ampliar o impacto das pesquisas e melhorar a qualidade das decisões sobre recursos hídricos. Além disso, a falta de formação específica tende a gerar excesso de informação, uso inadequado de jargões e desalinhamento com o público.

No caso do SACRE, a comunicação não entra como etapa final, mas como parte do próprio desenvolvimento da pesquisa. Segundo Boico, isso muda a forma como o conhecimento é produzido e compartilhado. “A incorporação da comunicação desde o início permite a co-criação de conhecimento e interações mais ricas com atores não científicos”, diz. 


Quando a comunicação falha, a ciência não chega

Em cidades paulistas sob pressão hídrica, falhas na comunicação científica têm efeitos sobre a gestão pública e a percepção da população. Informações excessivamente técnicas ou desconectadas das demandas reais com frequência ignoradas, mesmo quando são relevantes para a tomada de decisão.

Boico sugere que a falta de clareza e transparência pode gerar desconfiança. “Jargões e falta de transparência sobre incertezas diminuem a compreensão e a credibilidade do conhecimento comunicado”, diz, além de reduzir o potencial de uso das evidências científicas por gestores.

A questão aparece de forma recorrente no estudo, que identificou a sobrecarga de mensagens e a linguagem técnica como barreiras persistentes entre hidrólogos e a sociedade. Para além do meio acadêmico, essas falhas impactam a capacidade de resposta a eventos extremos, como enchentes e períodos de estiagem.


Traduzir sem simplificar 

Uma das recomendações do artigo é adaptar a linguagem à realidade do público, sem perder o rigor técnico. Em vez de comunicar vazões em metros cúbicos por segundo, por exemplo, pesquisadores podem traduzir esses dados em limites de chuva associados a alagamentos, o que facilita a compreensão sem distorcer a informação.

No SACRE, essa adaptação tem orientado a relação com diferentes públicos. O projeto busca conectar resultados científicos aos usos concretos para gestores. Boico cita uma apresentação recente em que os dados foram organizados como produtos aplicáveis à gestão. “A interação com os tomadores de decisão envolve bastante aprendizado por parte dos pesquisadores, para adaptar a linguagem aos diferentes públicos”.

O estudo também aponta caminhos para melhorar a comunicação científica, como o uso de resumos em linguagem simples, mensagens mais curtas e direcionadas e estratégias que priorizem relevância e clareza. Entre os hidrólogos entrevistados, 82% defendem que a comunicação com atores locais deve ser padrão nos projetos.



 
 
 

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FAPESP Processos 2020/15434-0 e 2022/00652-7, CNPq 423950/2021-5

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