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Camada geológica pode reduzir risco de contaminação do Aquífero Guarani

  • Foto do escritor: SACRE
    SACRE
  • 31 de mar.
  • 2 min de leitura

Estudo do SACRE identifica formação que atua como barreira natural, mas eficácia ainda é incerta


Isabela Batistella


Imagem ilustrativa (Fonte: Acervo Canva)
Imagem ilustrativa (Fonte: Acervo Canva)

Pesquisa do Projeto SACRE | Soluções Integradas de Água para Cidades Resilientes identifica, na região de Bauru, uma camada geológica capaz de proteger o Aquífero Guarani, considerado estratégico para o abastecimento público. O estudo revisa o risco associado à chamada janela basáltica, que indica a ausência de rochas vulcânicas protetoras (basalto), que atuam como isolante hidráulico entre as unidades geológicas.

A ausência dessas rochas facilita conexões indesejáveis entre aquíferos. De um lado, está o Aquífero Bauru, mais raso e com registros de contaminação por nitrato, associados a vazamentos de esgoto e a outras atividades humanas. Do outro, o Aquífero Guarani, mais profundo e resiliente, além de responsável por parte do abastecimento público. 

“O nitrato preocupa porque se dissolve com facilidade na água e se desloca rapidamente no subsolo”, explica Lívia Freitas, pesquisadora responsável pelo estudo. Em concentrações elevadas, a substância pode causar problemas de saúde, o que reforça o alerta sobre a qualidade da água consumida e a necessidade de proteger reservas estratégicas. 

O estudo indica que, mesmo na ausência dessa proteção natural, existe uma camada intermediária que atua como barreira. Trata-se da Formação Araçatuba, uma unidade geológica que atua como aquitardo, termo técnico que define camadas que armazenam água, mas a transmitem muito lentamente. 

“A Formação Araçatuba funciona como uma camada menos permeável entre os dois aquíferos, dificultando a passagem da água e de possíveis contaminantes”, diz Freitas. Na prática, a formação não impede totalmente o fluxo, mas reduz a velocidade com que a água e eventuais poluentes se deslocam. 

A descoberta muda a forma como pesquisadores entendem a proteção do Aquífero Guarani na região. Até então, o isolamento era atribuído principalmente aos basaltos da Formação Serra Geral, de origem vulcânica e que podem chegar a até 1000 metros de espessura. Com a nova evidência, outras estruturas passam a integrar essa função. 

Apesar do avanço, o estudo indica limitações. “Na área do estudo, a Formação Araçatuba apresenta espessura relativamente pequena, o que levanta questionamentos sobre até que ponto oferece o mesmo nível de proteção que os basaltos”, diz. “Ainda não se conhece completamente a eficiência dessa formação como barreira hidráulica”. 

Além de esclarecer o funcionamento dos aquíferos, a pesquisa apresenta aplicações para o planejamento urbano e a gestão da água. A equipe construiu um modelo geológico detalhado da região a partir da análise de dezenas de poços e de dados geofísicos, que servem como exames do subsolo. “Com o modelo geológico da região, fica mais fácil prever onde estão as camadas, o que ajuda a escolher melhor os locais e as profundidades de novos poços”, diz Freitas. Essas informações podem orientar decisões técnicas e reduzir os riscos associados à captação de água subterrânea.

Outro resultado do estudo é a definição de assinaturas geofísicas, padrões que permitem reconhecer diferentes tipos de rocha a partir de medições em poços. Esse tipo de informação pode ser usado como referência em outras regiões, reduzindo a necessidade de novas perfurações e aumentando a confiabilidade das análises. “Essas assinaturas ajudam a reconhecer as mesmas formações em outros poços ou áreas”, aponta. “Isso torna as interpretações mais rápidas e confiáveis.”


 
 
 

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FAPESP Processos 2020/15434-0 e 2022/00652-7, CNPq 423950/2021-5

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