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Contaminação de águas subterrâneas expõe falhas de saneamento e uso do solo

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    SACRE
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Estudos discutidos no SACRE mostram como indicadores químicos revelam impacto humano e desigualdade urbana


Isabela Batistella


Córrego Água Comprida na cidade de Bauru/SP (Fonte: Isabela Batistella)
Córrego Água Comprida na cidade de Bauru/SP (Fonte: Isabela Batistella)

A presença de contaminantes na água subterrânea — como  os derivados do  esgoto não tratado (microplásticos, patógenos, nutrientes, nitrato, metais pesados, entre outros) — revela falhas de saneamento, uso inadequado do solo e desigualdades urbanas. No âmbito do Projeto SACRE | Soluções Integradas de Água para Cidades Resilientes, pesquisadores discutem como esses indicadores ajudam a identificar riscos antes mesmo da perfuração de novos poços.

Algumas dessas substâncias raramente ocorrem em concentrações significativas em condições naturais. Quando  detectadas em subsuperfície, indicam interferência direta da ação humana. “Certos contaminantes funcionam como indicadores do impacto humano sobre os aquíferos, uma vez que estão diretamente associados a atividades antrópicas específicas, apresentam alta mobilidade e persistência em subsuperfície, podendo atingir extensas áreas”, alerta Claudia Varnier, pesquisadora do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA/SEMIL) e integrante do SACRE. Segundo ela, “a distribuição distribuição espacial desses poluentes e a variação temporal refletem diferentes padrões de uso e ocupação do solo, estágios de urbanização, a que os centros urbanos têm experimentado nas últimas décadas”. 

Entre as fontes mais comuns em centros urbanos incluem-se os sistemas de saneamento, decorrentes das fugas das redes de esgoto, fossas sépticas e rudimentares, mas cursos d’água e/ou fossas, disposição de resíduos sólidos (lixões e aterros sanitários mal construídos e/ou em locais impróprios). A depender do tipo de solo e da profundidade do aquífero, esses contaminantes podem migrar e gerar plumas de contaminação, às vezes difíceis de reverter. 

O monitoramento, porém, ainda é limitado. Em 2020, a Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas, coordenada pelo Serviço Geológico do Brasil, contava com apenas 409 pontos distribuídos em 24 aquíferos, em 20 estados — número considerado baixo diante da dimensão territorial do país e da quantidade estimada de poços em operação. Além da limitação de dados, há dificuldades de acesso às informações públicas. As bases estão dispersas em diferentes órgãos e muitos sistemas apresentam falhas de atualização ou restrições de acesso, o que compromete análises integradas e ações preventivas

Nesse contexto, o SACRE defende que a escolha de áreas para perfuração de novos poços deve considerar critérios técnicos rigorosos e uma leitura integrada do território. “A presença desses contaminantes evidencia deficiências nos sistemas de saneamento e práticas inadequadas de uso do solo, além de revelar desigualdades socioespaciais, já que as áreas mais vulneráveis tendem a sofrer maior exposição à contaminação”, afirma Varnier.  Por isso, especialistas reforçam a necessidade de planejamento preventivo e de articulação entre políticas urbanas, agrícolas, industriais e de gestão hídrica.


 
 
 

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FAPESP Processos 2020/15434-0 e 2022/00652-7, CNPq 423950/2021-5

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