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Soluções para garantir água desafiam investimentos

  • Foto do escritor: SACRE
    SACRE
  • 15 de jan.
  • 3 min de leitura

Modelos sugerem portfólios com menor custo e risco


Isabela Batistella


Pesquisador do SACRE Vinicius Boico XXVI Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, em Vitória/ES (Fonte: ABRHidro)
Pesquisador do SACRE Vinicius Boico XXVI Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, em Vitória/ES (Fonte: ABRHidro)

O Projeto SACRE coloca em evidência caminhos mais eficientes e baratos para garantir água no futuro. Modelos hidroeconômicos indicam que combinações entre barraginhas — pequenas bacias escavadas no solo —, redução de perdas e ampliação estratégica de poços evitam déficits e reduzem custos, embora essas alternativas ainda avancem devagar nas prioridades municipais. O resultado aparece em análises que avaliam cenários climáticos, demográficos e econômicos até 2050, alinhadas ao desenvolvimento do Sistema de Suporte à Decisão (SSD) que o projeto visa implementar com gestores e técnicos.

O estudo cruza dados de quantidade e qualidade dos mananciais, custos fixos e variáveis, riscos ambientais e desempenho das alternativas ao longo do tempo. A avaliação inicial do modelo inclui a Bacia do Rio Batalha, o Sistema Aquífero Guarani, o Sistema Aquífero Bauru e o uso privado de poços. “Essas soluções podem garantir o abastecimento em longo prazo com qualidade e menores custos do que as opções tradicionais”, diz Fernando Rörig, pesquisador do SACRE. Ele aponta que obras convencionais continuam no centro das decisões públicas mesmo quando modelos indicam trajetória mais eficiente no uso conjunto de águas superficiais e subterrâneas.


Transformação de dados em decisões

O Sistema de Suporte à Decisão integra dados de monitoramento para prever o comportamento da água e projeções econômicas para indicar combinações de medidas que atendem metas de produção e restrições ambientais. O objetivo é traduzir análises complexas em informações claras para prefeitos, secretários e equipes técnicas. “A visualização precisa ser simples, mas confiável, e mostrar vantagens e desvantagens de cada alternativa”, diz Vinicius Boico, pesquisador do projeto que apresentou a ferramenta no XXVI Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, em Vitória (ES). Ele explica que o SSD sintetiza resultados de campo e de modelagem sem perder a complexidade das interações entre rios e aquíferos.

A ferramenta visa entregar mapas, gráficos e indicadores de consumo, déficit, custo total e impactos ambientais. A análise econômica busca a combinação de soluções que minimiza gastos ao mesmo tempo em que cumpre metas de confiabilidade e restrições sobre vazão mínima de rios e rebaixamento de aquíferos. Os pesquisadores analisam cenários pessimistas e realistas, com diferentes taxas de crescimento populacional e tendências de uso da terra. Em um exemplo de otimização, campos de poços e barraginhas evitariam déficit até 2040 e reduziriam a dependência do Rio Batalha em períodos de estiagem.


O papel do Aquífero Guarani e a necessidade de prevenção

A extração de água no Sistema Aquífero Guarani aumentou, na cidade de Bauru, em cerca de 50% entre 2010 e 2023, acompanhada pela perfuração de mais de 40 poços municipais e pelo crescimento de poços privados. O aquífero possui grande volume de água, mas sua resposta ao aumento de bombeamento apresenta incertezas, especialmente nas zonas com maior concentração de poços. Os estudos do SACRE indicam que o abastecimento segue estável, sem risco imediato, embora ações preventivas sejam necessárias para evitar reduções de produtividade e aumento de custos operacionais no futuro. “As características irregulares das formações rochosas tornam a previsibilidade mais difícil e reforçam a importância do planejamento”, diz Boico.

O projeto destaca que a cidade enfrenta pressões crescentes sobre os mananciais. O Rio Batalha apresenta assoreamento, baixa capacidade de reservação e redução na captação em estiagens. O índice de perdas no sistema ultrapassa 40%. O uso da terra avança na direção de silvicultura e expansão urbana, o que pressiona a recarga, qualidade da água e disponibilidade para o consumo. A crise hídrica recente atingiu regiões atendidas pelo Batalha, enquanto áreas abastecidas exclusivamente por poços não tiveram rodízio, embora essa estabilidade dependa de manutenção contínua do sistema e de decisões coordenadas.


Planejamento integrado e caminhos indicados

O SACRE avalia soluções que incluem redução de perdas, recarga gerenciada, restauração florestal, filtração em margem de rio, barramentos, sistemas de pagamentos por serviços ambientais, manutenção de captações particulares e reuso. O projeto considera quantidade, qualidade, custo e impacto ambiental para evitar consequências inesperadas causadas por intervenções isoladas. Os modelos também indicam quando obras estruturais, como uma nova captação no Rio Batalha, se tornam competitivas em comparação a soluções distribuídas.

Os pesquisadores afirmam que o planejamento integrado precisa considerar interações entre rios, aquíferos, clima, uso do solo e demanda. O SSD incorpora essas variáveis e permite comparar trajetórias de investimento. “A aplicação depende de organização institucional e de interlocução entre órgãos gestores”, diz Boico. Ele avalia que a ferramenta pode aproximar ciência e gestão pública e fortalecer decisões com menor incerteza.

 
 
 

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FAPESP Processos 2020/15434-0 e 2022/00652-7, CNPq 423950/2021-5

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